25.10.09

Isso.

O violão deitado no meu colo pedia carinho, mas eu já não sentia vontade. A xícara em cima da mesa também não queria mais ter gosto, e, como num motim, a casa toda recusou-se a ser minha.
Perguntei a ela como estaria disposta a ser dali até onde quisesse, caso nada fosse como era.
Ela respondeu, muda, mantendo-se a mesma.
O vento chamou a cortina para dançar, e ela dançou como quem não quisesse, só para fazer honra.
Meu coração não quis conversar com os olhos, então, eles resolveram tentar com o liso do teto. Era um liso tão lisinho, que os olhos acharam que era um céu e viraram mar.
Aconcheguei-me nos meus braços, segurando tudo ao meu redor que havia em mim. Quando vi que poderia estar só, mergulhei no tal mar. Ainda não saí dele.
Sigo no naufrágio de nada, com vontade de tudo.
E espero, sem pressa.

19 comentários:

  1. era um liso como se fosse um slide. um violão de 9 cordas, como big joe willians tinha. era suspiro. e essas mesmas cordas fazem um novo blues, com cheiro de 30 anos atrás

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  2. Lindo. Mesmo. Me deu vontade de nada em um naufragio de tudo.

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  3. E espero, sem pressa.

    queria conseguir ser assim

    me lembrou clarice lispector.

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  4. Se pelo menos houvesse um Sr. Wilson...

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  5. Poética e mostra que a pressa é inimiga de tudo...

    Beijos, Iasmim !!! =)

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  6. Olha, que uma das coisas mais lindas que já li, foi esse texto.

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  7. Blues em prosa. Muito bom!

    Obrigado pela visita lá no Não Me Faz Pensar. Acho que as frustrações que lá escrevo poderiam muito bem serem acompanhadas por uma diatônica (que gosto muito por sinal).

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  8. Sigo no naufrágio de nada, estamos juntos.

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  9. Uma delicada melancolia!!Gostei muito!Estou te seguindo!

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  10. E eu quase pude sentir o ritmo da sua espera lenta e desassossegada.

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  11. Maravilha o seu cantinho.
    Na intenção de divulgar o meu trabalho, cheguei até você.
    Gostei muito do seu espaço. Eu não estou podendo ler tudo de uma vez porque a tela do computador atrapalha um pouco a minha visão, mas certamente voltarei mais vezes. O meu oftamologista pediu que desse um tempo da telinha... e eu sou fraca ?
    O meu território já está demarcado.
    Convido a dar uma espiada em "FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER.." ( o seu cantinho de leitura), em:
    http://www.silnunesprof.blogspot.com
    Terei sempre uma história para contar.
    Saudações Florestais !

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  12. "O vento chamou a cortina para dançar"

    Gostei!
    Daniel

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  13. Nossa...teu texto é de uma leveza, que sai a dançar, elegantemente, a qualquer ameaça de brisa.

    Lindo. Simplesmente lindo.

    Depois do maremoto, certamente vem a calmaria. Basta confiar.

    Obrigada pela visita lá e pela música que deixou pra mim! Adorei! Não conhecia, mas é linda linda! ;)

    Beijinhos e uma maravilhosa semana!

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  14. Não sei nadar, já soube tocar violão e desisti, uso as cordas para me enforcar quando o tédio vem

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