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21.11.09

Virginiana Sem Lar.

No embaçado do dia seguinte, você não sabe se tem dor-de-cabeça, se vomita, se engole água tônica para dar vida para a vida que você deixou esquecida na porra da mesa (ou no banco, não sei). Aquela vibração que ficou descontrolada e saiu rodando e dançando e cantando alto demais e acabou te deixando tão tonto que nada faz parar de girar, de rodar, de cantar e, no fim, você chora no banco da rua e não sabe se é choro de vida, de morte ou de música, ou de amor, de carinho, de falta. Pode ser só água demais no corpo. Choro de gin. Dá pra sentir o cheiro.
Pra melhorar, vem a ladainha de quem já entrou em coma. Entra por um lado, sai pelo outro e, por um momento, você mistura o bafo de cerveja com consideração e deixa de desejar que morra (o autor da ladainha, não você mesmo).
Eu não lembro porra nenhuma que eu cantei, mas sei que eu cantei e não foi da minha voz, foi d'alma. Rodei e tropecei e chorei a noite toda, acordei hoje e não sabia o que era certo e o que era errado. F***-se o clichê (asteriscos em respeito às freiras).
Ela, sempre ela.

2.11.09

Contrato II.

Tentei ficar livre, mas a lua cheia comia meus olhos e me deixava completamente cego. No que eu pensava, nem meu Deus saberia, se eu tivesse algum dentro de mim. Conseguir controlar passou a ser difícil depois do trago ácido que ela deu em minha alma.
Naquela noite, sugou até o tutano da minha consciência. Eu, sentado na cama depois dos balcões limpos, botas no canto, lençóis amassados pelo que foi, solidão ao pé da cama começou a me pedir ajuda. Nós dois pensamos nela e ficamos assim o quanto durou aquele tempo.
O perfume de estrada, o beijo de tensão, o querer ser por hora, o carinho de fuga e todo aquele embrulho no estômago depois de metade da garrafa vazia e outra metade cheia. Eu queria tudo, tive tudo, queria mais.
Maldita seja. Maldito seja o que ficou. Maldito seja mais ainda o que vai embora.
Agora maldito sou eu, e o sabor do corpo dela espeta minha memória.
A lua cheia pode se dissolver em estrela qualquer dia, mas o tinhoso instalou-se no peito.

Eu peço ao Senhor, existindo ou não, liberte minha alma. Que assim seja.


25.10.09

Isso.

O violão deitado no meu colo pedia carinho, mas eu já não sentia vontade. A xícara em cima da mesa também não queria mais ter gosto, e, como num motim, a casa toda recusou-se a ser minha.
Perguntei a ela como estaria disposta a ser dali até onde quisesse, caso nada fosse como era.
Ela respondeu, muda, mantendo-se a mesma.
O vento chamou a cortina para dançar, e ela dançou como quem não quisesse, só para fazer honra.
Meu coração não quis conversar com os olhos, então, eles resolveram tentar com o liso do teto. Era um liso tão lisinho, que os olhos acharam que era um céu e viraram mar.
Aconcheguei-me nos meus braços, segurando tudo ao meu redor que havia em mim. Quando vi que poderia estar só, mergulhei no tal mar. Ainda não saí dele.
Sigo no naufrágio de nada, com vontade de tudo.
E espero, sem pressa.

12.10.09

O Clichê do Filgo.

Pensando e percebendo... bluseiro não curte fígado (clichê).
Um dia, eu, num sebo (sem nada para fazer e quatro reais no bolso... trágico), achei uns livrinhos tchans numas daquelas prateleiras cheirando a calcinha de véia. Lá, havia um chamado Poema Bêbado, de um Zé ruela chamado Milton blablablá (me esqueci) e tive a feliz ideia de comprá-lo. Um realzinho e tal, barato, etc...
O cara dividiu o livro em poemas chamados de doses. Legaizinhos até, há 33 deles chamados assim. Lá mais pro fim, ele fez dois poemas bem mais legais que os outros: e um chamado Dose Especial aquela que nem se lembra que entrou - nem se já saiu e não se viu) e um último, chamado Tributo ao Fígado.
Este ben-maldito poema lembrou-me que o Rory Gallagher não existe mais por conta do fígado, e tantos outros também não existem mais por conta dele (e também por umas fumacinhas extras e etceteras que não nos diz respeito).
Aí, me deu uma puLta vontade (o L é pra dar profundidade ao palavrão) de compartilhar um trechinho deste poema, que nos remete, também, à música:

"ele é o ritmo
eu sou a melo
dia
sem ele bem
não existe harmonia"


Tchau, Rory!