
O selo começou onde a maioria finca raiz: flor. Sentido e sensação caminhavam entre os dedos do toque, faziam a curva dentre os fios dos cabelos jogados no travesseiro, ouviam as letras e cantavam a música que era todas as pequenas partes dos dois que haviam se tornado uma
veia única, com laço de fita na ponta. Como num susto, o copo de vinho barato caía no colo e o amor sucumbia ao perfume. Delirava, corria e socorria os pedaços de lucidez que ainda teimavam em permanecer sorrindo para o teto, puxando-os para dentro. Sorriam para as sensações quando sentiam, caminhavam entre as contas do pescoço, pairavam sobre o surdo e o mudo, como se nada fosse música, mas música fosse tudo.

Quando o sol subiu, o som diminuiu junto com as sombras, com as mágicas e com todas as perguntas que o dia ainda tinha para fazer à noite. A lua sorriu e foi embora, e o vazio fitou as fronhas e ficou. O destino não deixou recado e o vinho havia acabado, dentro e fora do corpo, em partes da alma, nos fios dos cabelos. No peito, bateu com uma lança e deixou em carne o que era flor, mas sem nenhum sangue. À espera do retorno, a fumaça abraçava o frio e acalentava o marasmo. O que restava do resto foi à varanda e e jogou as cinzas para o andar debaixo para ver se deixava rastro ou se atraía para que tudo voltasse ao normal. Maldito normal.

O céu era o mesmo, o vazio era o mesmo e nada continuava como sempre, nada era como antes, nada era o que a tal estrada prometia. Não havia palavra, não havia chamado, não havia nem maços de cigarro empacotados em papel jornal para o consolo dos dias vazios de trabalho, e a tal filosofia do amor e música se diluiam cada dia mais em copos seguidos de desamor e em crises existenciais, sutiãs que não servem mais, caixas de bombons que somem, tensões pré-menstruais e vazios que gostam de ser mães quando convém ou quando são bem-vindas pela imaginação que cuida do desejo de simpatia.
Ô, porra.
Maldito, filho duma égua, cretino, ordinário, vagabundo, salafrário, duas caras, ordinário, mentiroso, pateta, filho da puta, acéfalo, bunda mole, babaca, banana, canalha, desgraçado, hipócrita, frouxo, covarde, idiota, ignorante, larápio, malandro, nojento, retardado, ridículo, panaca, patife, repugnante, ladrão, cachorro, verme, traidor, sem-vergonha, safado... oh, infernos!