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9.2.12

Aqui Jaz(z).

Ah, meu bem, já parei com esse papo jukebox. Não sei... esperar pra querer alcançar? Oh, I know, I'm drunk as a lord, boy, mas ainda lembro bem onde as mãos pararam da última vez que houve uma vez e você desfez o laço que eu fiz.
Só quero mudar o traço que eu risco, e ainda arrisco dizer que comecei a querer tudo quando vi que sumi. I hope 'I'm gonna see the rays of the sunshine' em um "bom dia", não distante, que não quero engolir.
Saindo da sua parte e vivendo depois, começo a chover quando penso demais. Parece até um gole do meio, dos falsos, dos que cortam a voz e fazem falhar sentidos. Por segundos, sinto que todos os tiros que lanço pros lados desvirtuam-se com seu cheiro. 
Saber se eu acerto ou erro, não depende de mim e de ninguém. E eu não sei se é acerto ou erro, mas o meio-a-meio cai bem.

6.10.10

Das Coisas Ruins.

 Vi você estalando os dedos, olhando para o lado. Em frente ao meu corpo, andando e fugindo.
Gritei e fiquei quieta quando achava que tinha todas as vitórias, chorei quando achava que não havia solução e ri alto como pomba-gira quando achava que a soma disso tudo era bobagem maior criada pela mente. Mal sabia eu que a maior de todas as bobagens era eu mesma. 
Alguma parte de mim, além da memória, é muito mais tola. Não entende os cheiros que sente e finge que não e não entende por qual motivo Deus coloca nos sonhos o que não se quer ter dentro deles, mas ter de verdade.
Já benzi as lembranças, disse não para minha insistência, perdi noites em claro banhada à gotas d'água e cheguei a audácia de pedir que você morresse para que houvesse motivo suficiente para o não ter. Seria pouco ainda.
Quem carrega o peso do vazio são minhas entranhas. A desculpa para tudo é que eu estou vazia demais para me preencher com você. Encho-me de todas os sons do mundo.



22.7.10

Ovelha Negra.

E o que eu mais quero, dentre todas as coisas, é que tudo isso vá pro inferno.
E eu, pro meu inverno interno.
Blé.

21.6.10

Manual do Manuel Mental.

Sem partes, arrotam nos que ficam. E os que vão embora? Ficam também, do lado de lá.
Apareceu o desconforto, que sentou no peito como quem nada quisesse, cansado de escutar Oh Boy, is you right? e outros mesmos toda vez que se tentava renovar o lido. Mudar dá trabalho. Preciso de emprego em algo mais.
Não reclamei quando a estranheza tomou meu suco e roubou o relógio do meu pulso. O bom de não ter tempo é que se tem mais paciência para consertar coisas compridas, cheias de cabelo, secreção, vermes e cheiro de ralo. As coisas insosas ela mantém, infelizmente, talvez com a esperança de que eu empregue mordida e perfume depois dos consertos e concertos que tentam embalar o sono e limpar a sujeira que os campos de algodão deixaram na passagem quase estadia. Sei que consigo, depois o tempo volta.
Há certos pulsos, não os meus, que não sinto mais. Uns trocaram de relógio, outros não têm bateria, outros foram pulsar em outro lugar. Continuo aqui, no mesmo lugar e prefiro que continue estranho e cutucando asco. Um dia, eu entendo e conto como funciona.

14.6.10

Bebedeira Aleatória.

Eu não agradeço e só percebo as coisas depois das coisas piores da vida terem machucado meus braços e pernas e corpo e vida e terem quase me levado a morte. Me castiga. Acontece que eu nunca quase morri. Acho que você devia ter me dado a chance, para que eu pudesse perceber quão grandes as coisas pequenas são, incluindo minha burrice e a autopiedade que come todos os meus dias úteis e inúteis.
Peço ajuda toda vez que tropeço, mas não levanto. Essa é que é a grande merda.

4.6.10

A Transição Entre Um e o Outro.

Eu me convido para muitas coisas, principalmente para entrar em outras vidas.
Quando peço licença, ando bastante e caio. Quando caio, vejo o céu, virada de barriga pra cima em um sonho muito louco de abraços que dizem que gostam muito de mim. É só sonho. E o sonho é só.

2.6.10

Cafeína.

Quando se cansa, descansa. Se pede, repete e dança. Corre e escorrega; se fica, pega. Não se sabe o mal que cabe dentro de uma só palavra assim: sim.

25.3.10

Fôlego.

Só quando nos perdemos em chão e terra e peito aberto é que a vida veio até nós e nos pegou pelo braço e sambou conosco numa mistura de sacodidas e carinhos e trilhas e mais trilhas corridas sem pausa e sem vírgulas e buracos e com muitos carros carregando pessoas pobres dentro da minha cabeça  vazia que se enche ao lado da cheia que transborda e da que não transborda e o fluxo sorrindo para mim como o gato de Cheshire sorri para todo mundo e para ninguém que não acredita nele e quem acredita também sorri para mim e dança e gira e a vida vai voando até que eu perca o fôlego e pare para respirar.

22.3.10

A Volta Do Meu Parafuso.

Ontem eu andei pensando que eu poderia pensar. Não um pensar pesado que pesasse demais para as costas, mas um bem leve, que eu pudesse confundir com fumaça e soprar só para ver se esvairia, para ver até onde iria, para onde quer que fosse. 
Se fosse, não seria fácil ver ir, mas poderia ser o que me faria sair da fossa feita de falhas do meu cérebro e de um pedacinho de pedregulho que me foi atirado outro dia, bem na cabeça. A aparência atual se mistura com estrada de terra e uma parte de um casebre úmido, mas continuariam sendo assim mesmo depois do pensamento pesado. O leve levaria.

26.1.10

Risadas Caras.

Como de costume, aquele banho de clichê caiu sobre a minha cabeça e eu pedia para colocar sempre mais gelo para ver se as coisas paravam de balançar tanto. Usei o dicionário de palavras xulas que  vinha enriquecendo a cada dia, misturado em uma panela de sentidos Maysa com o roquenrou que eu gostava de roer.
Eu estava nua e cheia de risos, no pico no mundo de madeira, dançando o som da minha cabeça, em meio a caídas e levantadas de uma pessoa sem pernas na mente. Em determinado momento, eu olhei para o teto, vi estrelas e acordei no céu.
Voltando para a Terra, eu li o bilhete deixado embaixo de uma agenda. Pedia para esperar. Como resposta, eu fechei todas as cortinas e saí andando. Não paguei a conta.


18.1.10

Cruz Credo.

Abraçado pela onda da ventania da janela, acordei pela manhã e caí em prantos quando não encontrei o lugar certo para por os pés. Coloquei na bagagem as veias e o pulso, andei pelo caminho que encontrava e não via. Errado.
Cantei os sons que conseguia para ver se a luz abria, sorria, cantava, comeria minha alma ou a levaria embora  para entregar ao demônio dentro da terra. Quem dera fosse isso que acontecesse... serviria para muito mais e eu passaria a ter muito mais sorte do que a que me foi dada por ter o que segurar a cabeça em cima do tronco.
Engulo poeira e sal. Torço pelo engasgo.


16.1.10

Contrato V.

Nega a dor que parte dos punhos. Sobe a garganta, bombeia a cabeça e fica por lá, lembrando que existe e que não quer e não vai sair dali, nem que tudo saia da raiz. Que saia da vida, então.
Caminhou tanto antes do espaço amarrado, mas rompeu as linhas uma a uma, escorrendo a tristeza e rindo do vazio que agora fica. Finca e sai correndo. Assim, funciona.
Não sorri mais com os dentes, porque já não os tem. Dá voltas na própria volta, para e continua a girar dentro de si.Cai, dorme, acorda e retorna para onde a mente ainda não foi, talvez não vá ou, se for, tropeça no meio do caminho e quebra a perna. Come. Respira. Não tem tato, tem olfato.
Se cai, retira os espinhos das mãos. Nem tudo fere quando não se quer ser ferido.

Repete.


22.12.09

Escadaria.

Há o dentro da cabeça que gira e dá nós, não sei o motivo. Se, ao invés de dissolver-se, quisesse, seria mais fácil, principalmente para mim, mas não é assim que anda acontecendo. O problema todo, na verdade, é o andar. Não o fato de andar em si, mas o tipo de passo. Dá vontade de cortar as pernas. Mesmo assim, ainda não sei se o problema vem delas.
Quando vem o giro e pergunta o que há, o motivo responde que não é nada e se distrai dando nó no que resta são na cabeça, mergulha n'água, toma em chá, e se esquece que tudo e nada são a mesma coisa. 


30.11.09

Clichê do Asfalto.

O asfalto sente toda a hora marcada no sol e borbulha de calor, tão quente que rasga a pele de sentido e canções e toques e corpo.
Eu sorria antes porque pensava que era tal música que lembrava tal cheiro, mas era o cheiro que lembrava tal momento, e o momento lembrava a patada na cara de todas as vezes que eu pensava que eu tinha que esquecer o tempo que o asfalto dizia.
Queria mesmo era que o asfalto fosse mudo e sem sentido. Principalmente, que ele não marcasse caminho, porque ele é o culpado pela perda de tempo que há entre um lugar e outro e mantém longe o que poderia ter sido sabido antes.
Eu li o sentido no clichê dos cigarros amigos e senti vontade, sinto vontade e transbordo, mas o maldito trava o andar, finca os pés no chão e eu caio. Queria cair todo dia, se houvesse um caído que segurasse a minha queda. Ele há, mas há para todo mundo, e eu queria um caído só meu e do tudo, para poder cair em cima, e fazer do cigarro amigo meu melhor também e segurar no copo para fazer parar de beber a saudade e sentir que o fluxo de consciência raiovoso que anda conduzindo as palavras parasse um pouco no tempo, fizesse o caminho mais curto ou largasse as mãos e soltasse os cabelos.
Dentro do sonho unilateral de som, fumaça, bebida, corpo, palavra e beijo há aquele toque que corre a coluna e arrepia quando chega no pescoço, blasé, de que o prazer é dito em todos os cantos e é perdido, morto e desacreditado, e uma linha de raciocínio que beira a minha bebedeira emocional, porque eu tenho preguiça, e ela me faz ter medo de correr.
Não resolve rezar para tirar o diabo do corpo se você instalou o seu em mim e não quer tirar com nenhum canto, carinho ou harmonia que me faça sentir que o espaço é menor entre dois. A imaginação que desenha o que pode ser sonho ou mentira ou verdade ainda não me contou se o diabo também é desenhado ou é feito.
Se é feito, é bem. Se é bem, é bom. É bom que seja os dois. Amarro na cintura, prendo no pescoço, abraço, a pele roça antes de rasgar, a ferida abre e tem gosto de doce, fecha e nunca mais esquece.

24.11.09

Lonesome Road.

Mala e trilha, caminho perdido pela metade e com a outra metade ganha. Bom, muito bom!
Gole no copo para secar o corpo. Trago fundo no peito coxo e tão fundo que a fumaça também manca para sair do peito e não sai.
Melhor deixar uma carta para ser lida durante o caminho de sol e o calor do asfalto. Sentirei saudade no primeiro passo, Prefiro voltar mas também sinto muita falta do deixado para trás sem querer tendo sido texto do que ter sido só passado sinto falta do cheiro, assim como sinto falta do que eu poderia ter vivido naquele lugar. Passado que é decente é escrito, nem que seja na cabeça Não te quero triste, nem sem lembrança: motivo deste papel. Vale, não vale? Sei que guardará, mesmo que o rasgue de raiva.
Eu gosto do cheiro de gasolina, de óleo que corre no meio dos passos Eu também preciso sentir que sou mais livre quando a loucura invade o corpo e se quer o retorno ao que era pesadelo porque quero tentar um futuro diferente do que eu queria antes., porque pesadelo bem feito é sonho. Se você quiser fazer parte dele, te levo. Corra.

21.11.09

Virginiana Sem Lar.

No embaçado do dia seguinte, você não sabe se tem dor-de-cabeça, se vomita, se engole água tônica para dar vida para a vida que você deixou esquecida na porra da mesa (ou no banco, não sei). Aquela vibração que ficou descontrolada e saiu rodando e dançando e cantando alto demais e acabou te deixando tão tonto que nada faz parar de girar, de rodar, de cantar e, no fim, você chora no banco da rua e não sabe se é choro de vida, de morte ou de música, ou de amor, de carinho, de falta. Pode ser só água demais no corpo. Choro de gin. Dá pra sentir o cheiro.
Pra melhorar, vem a ladainha de quem já entrou em coma. Entra por um lado, sai pelo outro e, por um momento, você mistura o bafo de cerveja com consideração e deixa de desejar que morra (o autor da ladainha, não você mesmo).
Eu não lembro porra nenhuma que eu cantei, mas sei que eu cantei e não foi da minha voz, foi d'alma. Rodei e tropecei e chorei a noite toda, acordei hoje e não sabia o que era certo e o que era errado. F***-se o clichê (asteriscos em respeito às freiras).
Ela, sempre ela.

29.10.09

Louca Sem Destino.

O sofá, sempre. O que há no copo, rotativo.
Não falo de álcool. Rotação, neste caso, envolve gasolina, de qualquer tipo: de corpo, de som e de combinações, por exemplo.
A observação me encarava porque já era a quinta vez que o arranjo cruzava a sala, batia na parede e caía na minha cabeça. O problema disso não era por eu ser sempre malcriada, mas porque eu simplesmente deixava. Quando tudo pulava, eu pulava junto, até parar de pular. Cansada, eu caía em mim, e era isso que deixava a observação fora de si.
Sinceramente, não dava muita importância até o dia que ela parou de me fitar... confesso, fiquei preocupadíssima. O que eu queria muito mesmo era continuar pulando, sabe?
De saco cheio, um dia, eu deixei a janela aberta.
O arranjo fez o de sempre, naquela altura, pela octagésima vez. Não foi na minha cabeça que ele bateu porque estava muito contente sem a observação, diferente de mim.
Ele voou pela janela, deu pirueta no ar e eu fiquei só olhando, com os olhinhos brilhando.
Foi tudo tão mágico que eu vi o brilho refletido no arranjo maluco e voador e ele, sacana!, fez questão de espalhar pra todo lado.
Num determinado momento, ele ficou parado no céu, longe e caiu. Em um minuto ou dois (ou mais), ele subiu de novo.
Trouxe uma gaita, um banquinho, uma companhia e encheu o copo.

25.10.09

Isso.

O violão deitado no meu colo pedia carinho, mas eu já não sentia vontade. A xícara em cima da mesa também não queria mais ter gosto, e, como num motim, a casa toda recusou-se a ser minha.
Perguntei a ela como estaria disposta a ser dali até onde quisesse, caso nada fosse como era.
Ela respondeu, muda, mantendo-se a mesma.
O vento chamou a cortina para dançar, e ela dançou como quem não quisesse, só para fazer honra.
Meu coração não quis conversar com os olhos, então, eles resolveram tentar com o liso do teto. Era um liso tão lisinho, que os olhos acharam que era um céu e viraram mar.
Aconcheguei-me nos meus braços, segurando tudo ao meu redor que havia em mim. Quando vi que poderia estar só, mergulhei no tal mar. Ainda não saí dele.
Sigo no naufrágio de nada, com vontade de tudo.
E espero, sem pressa.

23.10.09

Cômoda.

Chuvinha caindo na janela, pedacinho de mim caindo no chão, pensamento coçando nas orelhas.
Mexi nas gavetas e achei partes de ontem, pequenos sopros de vento. Meus cabelos balançaram com a brisa. Eu achei aquilo tudo tão lindo.
Procurei um resquício que eu queria muito encontrar, mas acabei cortando a mão e desistindo.
Enquanto procurava algo que estancasse aquilo que não era sangue, entrou uma música na cabeça que tinha som de pirulito.
Fui atrás e encontrei uma vitrola rodando um vinil e um bando de músicos em cima.
Era tudo tão gostoso, que acabei dormindo.
Acordei no dia seguinte cheia de marca. O pirulito foi trocado por um som tocado de preto.

17.10.09

Silêncio.

Levei o Sartre pro show de grunge, não deu certo.
Peguei na mão do Guimarães e levei pro rock, ele disse que disse. Eu não tive tempo de entender, então, ele foi embora.
Convidei o Drummond para o samba. Sentou na mesa, olhou pra tudo e dormiu.
Quis dançar com o Camões a MPB do Caetano feliz, ele viajou demais.
Prometi que não levaria ninguém para o blues. Principalmente os alemães.
Então, peguei um papel, uma caneta e escrevi o silêncio, até que os dois ficassem bem juntinhos.
Sambei sozinha meu próprio som, num bequinho qualquer.
Voltei pra casa bêbada de tanto vazio.