Era fio descendo a garganta e frio na espinha e calor e tremor e tempo voando sem ver que a hora já havia passado. Perdeu-se um dia.Morri de raiva quando vi que não havia morrido pela raiva que sentia, e os fios da garganta dissolveram-se em gosto seco e sem sentido. Parecia amargo e não era. Não era doce também. Um gosto oco, talvez.
Seca e surda para o som que aguardava, sentei e não chorei. Se veio depois, não sei. Se deixou gravado em algum canto, depois eu fico sabendo.
Só o que se sabe até agora é que tudo corre entre os dedos e foge feito areia, faz pensar na neve cinza, no copo vazio e em todos os estereótipos que a palavra "só" traz no bolso e na vitrolinha.