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8.6.10

Nádegas a Declarar.

Apresento-lhes Betty Boonda: retrato das entranhas estragadas que a vida pede que se jogue fora.
Jogo, não jogo, empresto ou guardo pra mais tarde?


26.1.10

Risadas Caras.

Como de costume, aquele banho de clichê caiu sobre a minha cabeça e eu pedia para colocar sempre mais gelo para ver se as coisas paravam de balançar tanto. Usei o dicionário de palavras xulas que  vinha enriquecendo a cada dia, misturado em uma panela de sentidos Maysa com o roquenrou que eu gostava de roer.
Eu estava nua e cheia de risos, no pico no mundo de madeira, dançando o som da minha cabeça, em meio a caídas e levantadas de uma pessoa sem pernas na mente. Em determinado momento, eu olhei para o teto, vi estrelas e acordei no céu.
Voltando para a Terra, eu li o bilhete deixado embaixo de uma agenda. Pedia para esperar. Como resposta, eu fechei todas as cortinas e saí andando. Não paguei a conta.


21.11.09

Virginiana Sem Lar.

No embaçado do dia seguinte, você não sabe se tem dor-de-cabeça, se vomita, se engole água tônica para dar vida para a vida que você deixou esquecida na porra da mesa (ou no banco, não sei). Aquela vibração que ficou descontrolada e saiu rodando e dançando e cantando alto demais e acabou te deixando tão tonto que nada faz parar de girar, de rodar, de cantar e, no fim, você chora no banco da rua e não sabe se é choro de vida, de morte ou de música, ou de amor, de carinho, de falta. Pode ser só água demais no corpo. Choro de gin. Dá pra sentir o cheiro.
Pra melhorar, vem a ladainha de quem já entrou em coma. Entra por um lado, sai pelo outro e, por um momento, você mistura o bafo de cerveja com consideração e deixa de desejar que morra (o autor da ladainha, não você mesmo).
Eu não lembro porra nenhuma que eu cantei, mas sei que eu cantei e não foi da minha voz, foi d'alma. Rodei e tropecei e chorei a noite toda, acordei hoje e não sabia o que era certo e o que era errado. F***-se o clichê (asteriscos em respeito às freiras).
Ela, sempre ela.

12.10.09

O Clichê do Filgo.

Pensando e percebendo... bluseiro não curte fígado (clichê).
Um dia, eu, num sebo (sem nada para fazer e quatro reais no bolso... trágico), achei uns livrinhos tchans numas daquelas prateleiras cheirando a calcinha de véia. Lá, havia um chamado Poema Bêbado, de um Zé ruela chamado Milton blablablá (me esqueci) e tive a feliz ideia de comprá-lo. Um realzinho e tal, barato, etc...
O cara dividiu o livro em poemas chamados de doses. Legaizinhos até, há 33 deles chamados assim. Lá mais pro fim, ele fez dois poemas bem mais legais que os outros: e um chamado Dose Especial aquela que nem se lembra que entrou - nem se já saiu e não se viu) e um último, chamado Tributo ao Fígado.
Este ben-maldito poema lembrou-me que o Rory Gallagher não existe mais por conta do fígado, e tantos outros também não existem mais por conta dele (e também por umas fumacinhas extras e etceteras que não nos diz respeito).
Aí, me deu uma puLta vontade (o L é pra dar profundidade ao palavrão) de compartilhar um trechinho deste poema, que nos remete, também, à música:

"ele é o ritmo
eu sou a melo
dia
sem ele bem
não existe harmonia"


Tchau, Rory!